quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Saudade dói e inspira

 É madrugada, as estrelas dançam belas e cintilantes no espetacular palco do infinito, harmoniosas sob o som da canção da existência, e sendo alvo de tantos olhares nesse mundo afora, assim como o meu está nesse instante. Olhos de pessoas que talvez estejam tristes, ou alegres, pessoas que talvez estejam sentindo o peso da dificuldade, e encontram conforto em momentos como esse, o de admirar simples estrelas.
Talvez outras mais, estejam fazendo o que eu e você fazemos nesses meses que se passam, transbordando papéis de palavras que saem do profundo escondido da alma, usando com toda sensibilidade poética, a tinta e a pena do coração. Privilégio dispensado a todos, porém poucos decidem se tornar assim, amantes da escrita, da leitura, da poesia, da música, da arte, das estrelas, da lua, da criação enfim.
Minha cabeça está saltando sobre as linhas da partitura, leve, viva e intensa. Gosto muito quando estou assim, para criar algo é fácil demais. E isso me recorda dos momentos com minha mãe, quando nos encontrávamos inconscientemente paralelizados na essência do saber acerca da vida, do ser, e do mundo.

Nossas conversas eram longas, muito longas. E cada dia me afasto mais e mais de ter seguidamente esse tipo de sensação, pois não há “exercícios” presenciais disso.
Melancólico e fulgurante ao mesmo tempo não é? Eis uma parte de minha personalidade sendo deferida como um trovão em meio as linhas.
Sonhei com aquela que me deu vida, abracei-a, beijei-a, senti seu perfume, a textura do cabelo, as mãos quentes, os olhos pequenos, ouvi sua voz, senti sua vida pulsando forte, me dando conselhos, me dando ordens, sendo a mãe que sempre foi. Bela, amorosa e forte. Espero que esteja nos braços de Cristo, sentindo o eterno prazer da salvação e gozo de estar na presença do Mestre. Dói tanto, tanto, sem explicação. Mas ainda assim, nosso Pai da Eternidade faz com que palavras alegres brotem desse coração aqui.

Júlio Gonçalves, 29 de Outubro de 2012