terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Lembranças

Essa semana foi meio conturbada, infelizmente algumas coisas não muito boas aconteceram, mas faz parte não é? Ontem a noite assaltaram nosso apartamento, e infelizmente ninguém em casa ouviu nada, estávamos dormindo. Levaram algumas coisas, porém podia ter sido pior. E olha que moramos no 2º andar, é uma coisa de louco isso.
Mas ainda assim nosso dever como dispensadores do Evangelho, é amá-los.
Sabia que soa estranho eu falar assim? Se fosse o "EU" de alguns 10 anos atrás, jamais ficaria "amando" o cidadão que fez isso. Meu passado é de alguém irritado,vingativo, hiperativo, egoísta e muito rancoroso. Ainda bem que toda pedra bruta pode ser lapidada quando encontra as mãos certas, e no meu caso foi a mão do nosso Jesus, esse cara que ama sem ser,muitas vezes, amado como deveria. E é normal que sigamos os passos daquele que nos ensina.
Se Cristo ama, inevitavelmente acabaremos absorvendo esse "amor", para assim desferi-lo aos que cruzarem em nossa estrada.

O filme paixão de Cristo foi um fator influenciador em muitas das minhas reflexões de Cruz e amor! 
É interessante vermos algo um tanto perto da possibilidade da realidade sendo apresentado. Somos seres visuais, a assimilação se torna facil quando podemos "ver". Claro que nem se compara com a dimensão real, profunda e intensa da realidade na qual houve, porém foi algo que edificou minha vida.
Lembro-me dessa cena. Cristo ainda era Filho, usava as ferramentas brutas, martelo, pregos, madeira. Estava ainda se preparando para uma metamorfose, se encontrava em uma fase de transmutação temporal: do ser terreno atuante para o ser Divino atuante.
Imagino o último dia no nosso Querido Jesus, em sua despedida particular daquilo que o estiveram em suas mãos por toda existência até aquele momento. A última olhada em sua oficina, o passar de sua mão calejada no cabo do martelo, o sentir pela última vez o trinco da porta entre seus dedos, o cheiro da madeira, os fechos de luz por entre as abertura, revelando a poeira do lugar onde tudo se iniciou, do casulo existencial.
-É isso, chega de tranformar o bruto em algo utilizável e confortável, chega de dar forma aquilo que a natureza produz, agora o negócio era transformar o bruto em alguém amável, dar forma ao coração doente e vazio, agora os pregos não eram na madeira, e sim no seu corpo, por amor aos "enmadeirados" que não aceitaram a lapidação.
É incrível como o simples e ortográfico nome Jesus pode ter uma essência tão imensurável a ponto de fazer meu coração nesse axato momento, vibrar de alegria somente por escrever essas linhas acima sobre o Rei. A grandiosidade de sentimento é incrível, a intensidade ministerial que perdura até os dias de hoje é monumental.
Surgiu uma lembrança boa em minha mente agora. Tinha 16 anos, congregava na Assembléia nessa época, novo convertido, vida intensa na oração, jejum e muitas doses de fariseísmos, porém uma época inocente e muito boa. A mulher do Pastor era a responsável pela Escola Bíblica dominical, e em dado momento da escola, a continuação de certos tópicos era com alguém da nave da igreja. Em uma certa feita, ela me convidou para trazer uma explanação daquilo que eu compreendia da lição.
Na hora eu pensei: Isso é palhaçada, tanto irmão de anos ai, sábios e conhecedores, e eu faz somente meses que estou ativo como membro. Garanto que é para rirem de mim!!
Olha meus pensamentos. Mas como nunca nego nada, aceitei, um tanto nervoso e preocupado, pois a mania perfeccionista já era impregnada na minha vida, mas vamos lá não é?
Olha que legal, lembrei do tema da lição nesse instante, surgiu como um flash: Jesus homem, Jesus Divino - Ministério terreno de Cristo em sua divindade.

Aquela semana foi intensa, muita oração e leitura, praticamente entrei em coma textual e devocional. Aquela preocupação de não querer falar irrealidades e algo diferente da verdade. Eu era uma criança aprendendo a caminhar, sem medo de cair e com muita vontade de correr Hehe. Então chega o fatídico domingo. Levantei-me 7 da manhã, fui para a igreja as 8, orei até o começo da Escola, que era as 9 e meia. Deram início as liturgias assembleianas, hinos, introduções etc, até que me chamam. Lembro até hoje a maneira e voz com que a irmã me chamou. Nesse ponto da situação, pensa como eu estava? Muito nervoso, porém somente com o pensamento de fazer algo para o Rei. Não lembro muito bem em quais pilares dissertativos me foquei, mas dos momentos clímax, minha memória ainda recorda. Lembro da reação alegre de cada irmão, de seus olhos atentos. Teve um momento em que recordo claramente:

"Em todo esse espaço de tempo de existência da terra, com todos os seres humanos que há, com todos filósofos e inteligentes que cruzaram as gerações, com todos inspirados escritores e poetas, mesmo com esses todos, nenhum deles teria capacidade suficiente de criar uma figura como a de Cristo. Dizem que Jesus foi inventado, criado, e que toda história da vida dEle é uma farsa, porém, que tipo de farsa é essa que faz com que milhares sejam libertos de seus vícios, de suas doenças, de suas crises? Que faz com que nos derramamos e tenhamos fé a ponto de mover montanhas? Que faz-nos levantar cedo em um domingo para estar aqui? Se Jesus foi criado por alguém, esse alguém é Deus, portanto Cristo é filho de Deus, o Filho divino e terreno. Nem hoje em dia, em pleno século XXI alguém teria tal poder de criatividade para criar alguém nessa dimensão, mais difícil ainda seria crial-la no século I."
(Filósofo desde de cedo)

Bom, era algo assim, não sabia falar tão objetivamente e bem ainda. Porém foi na simplicidade que ganhei o sorriso de aprovação de todos. Lembrar disso alegra minha alma, faz a paz gerar dentro do coração. Tive momentos incríveis nos primordios de minha fé, momentos de busca, conhecimento, paz de alma, confiança, e o melhor de tudo, a esperança da volta de minha mãe para a igreja. São sentimentos e valores inefáveis de uma época linda da minha vida. O tempo passa, e a vida anda!!!
J.Gonçalves, 23 de Novembro de 2012.