terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sonhos estranhos


Muitas são as vezes na qual acontecimentos de aparência estranha, nos fazem ficar perturbados!
Essa noite foi uma dessas.
Como disse Carl Jung:
"Dentro de cada um de nós há um outro que não conhecemos. Ele fala conosco por meio dos sonhos."
Nossa vida e nossa história se constroem nos dias em que estamos acordados e nas noites em que dormimos e sonhamos. A psique diurna, consciente, e a psique noturna, inconsciente, apesar de diferentes, se completam para gerar o "Eu" que somos. Por meio dos sonhos estabelecemos uma comunicação com esse lado noturno, em geral desconhecido, mas não menos vivo e atuante.
Vamos ao sonho e depois as filosofias.

"Uma cidade ao qual meu inconsciente não se deu ao luxo de ditar nome, região, nem sequer o lugar. Casas em um estilo colonial, baixas, com varandas vastas e portas adornadas com simples desenhos abstratos. Olhei ao redor, e todas as pessoas levavam sua vida normalmente, andando pelas calçadas, conversando, comércios em funcionamento. Eu sabia que precisava encontrar alguém, alguma coisa, precisa procurar, achar, encontrar, porém sem ter uma consciência clara do que seria.
Me desloquei até a casa mais próxima, e bati insistentemente na porta. Uma senhora me atendeu. Não lembro de feições, de rosto, de nada, somente lembro que era uma senhora. Antes que eu falasse qualquer coisa, a primeira pergunta foi direcionada a mim:
- Onde está sua família?
Respondi:
- Não tenho!
E no mesmo instante ela virou as costas e bateu a porta de forma brusca.
Então fui até as outra casas daquela comunidade, e o processo era sempre o mesmo:
Batia na porta, atendiam, faziam a pergunta, ouviam a resposta, batiam a porta e me rejeitavam.
Fui a todas casas que meu campo de visão permitiu, em cada rua, em cada uma delas, e a maneira era a mesma. Minha alma entristeceu, lutava de desespero e solidão, algo que normalmente nunca ocorre no meu estado de psiquê diurna, porém nesse sonho a dor era na mesma intensidade na qual já senti em uma passado não muito distante da minha existência.
Naquele instante as lágrimas tomaram o espaço de minha face suada, pelo esforço de uma procura inexistente de uma resposta que nem eu sabia qual era.
Ajoelhei-me então no mesmo lugar onde estava, apoiei-me com as mãos no chão, baixei os olhos senti a tristeza da solidão plena em todo meu ser. Angústia com investidas fortes de agonia. Porém, em um piscar de olhos, algo aconteceu. Como se alguém estivesse apertado a tecla para que a vida que se encontrava em minha volta acelerasse, para que o tempo passasse em uma velocidade superior ao normal.

 
Quando queremos passar a cena de um filme, apertamos certa tecla e aceleramos os movimentos. Exatamente isso foi o que houve! As pessoas iam e viam, naquela velocidade incrível. Passavam as noites, os dias. Dias nublados, dia de sol, invernos e verões. Tudo como se fosse em um filme. As vidas iam se extinguindo, as casas desmoronando, arvorés crescendo. Aspecto de total abandono de desolação. Chuvas de areia sobrevieram sobre as ruas, sobre o resto das casas que ainda havia, deixando uma fisionomia desértica, seca, feia, sem cor, sem alegria. Até que a sensação de movimento acelerado cessa.
Tudo se torna em um silêncio mortal, sendo quebrado pelo ruído de janelas penduradas nas casas, sendo movidas pelo vento. E ali ainda continuava eu, ajoelhado, coberto de areia por sobre as pernas dobradas, com olhar de espanto e satisfação. Aquilo que estava ao redor, aquela visão ótica, aquela sensação temporal, aquilo tudo. 
Era aquilo que havia dentro de mim - DESERTO"

O sonho é uma manifestação criativa da psique (mente inconsciente e consciente) e vai além de nossos meros cinco sentidos. Portanto, os sonhos podem, de forma simbólica e numa linguagem própria, revelar questões de sua personalidade que precisam ser trabalhadas. O que não entendo é o por quê da sensação de paralelismo e aconchego quando olhei para o "deserto".
Minha cara amiga Anny, diz que isso é meu inconsciente revelando o quanto isso é desesperador e o quanto isso me faz mal na consciência diária.

Me pergunto:
Será que a decisão de ser alguém 'resiliente", submergiu meus medos a ponto de eles estarem gritando sem poderem serem ouvidos? Quando uma pessoa mergulha em águas, os ouvidos se fecham para tudo que está ao externo das mesmas.
Será que a "RESILIÊNCIA" ¹ transbordou e cobriu meus medos conscientes, fazendo assim eles se esconderem no profundo do inconsciente ativo? Descobrirei a resposta, descobrirei!!

J. Gonçalves, 04/12/2012

 "RESILIÊNCIA" ¹ - A resiliência é um conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse etc. - sem entrar em surto psicológico.