quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pensão assistida

Hoje pela manhã, fui na Pensão Assistida, fazer uma atividade prática. Lá é um lugar que abriga moradores de rua com algum problema mental. Você não tem ideia do que eu encontrei lá:
Pessoas psicóticas. Fora da realidade, uma falava que estava assistindo a novela das 22h, me chamou pra conversar com ela e começou a chorar dizendo que queria voltar para a sua casa. Eu não entendia nada que ela falava, nada fazia sentido, ela me pediu um caderno e começou a escrever meu nome, colocou um A, um L, um I, e começou a fazer um monte de risquinhos. Eu segurei a mão dela e fiquei fazendo carinho nela, dizendo que ela estava lá pra cuidar de sua saúde e quando melhorasse voltaria pra casa. Outra começou a chorar falando do pai de sua filha, mas essa era divertida, cantava uma música do Jhon Lennon, falava dos Beatles, disse que gravou um cd e fazia shows. Tinha um rapaz, o João que conseguia se comunicar um pouco melhor, mas tem retardo mental. Outro menino com aparência de 8 anos, parecia ser autista, mas não respondia todos os critérios do DSM IV para autismo, brincava com um ursinho de pelúcia, descobri que ele tem 20 anos. O João abraçava ele, o tratava com um carinho enorme. Tinha um senhor desdentado que sorria sem parar, e nos abraçava o tempo todo, fazia o sinal que em LIBRAS significa amigo. Tinha uma menina que está tentando parar de usar crack, passou pelo Hospital Espírita (hospício da cidade) e foi levada pra lá depois disso, era prostituta para conseguir dinheiro para o crack.

Sabe o que mais me impressionou em todo esse cenário? A minha reação em relação a eles. Eu não senti medo, nojo, dor, nem nada do tipo. Senti uma vontade imensa de cuidar deles, de fazer eles se sentirem bem, sentirem um pouco de paz dentro do seu mundinho confuso e assustador. O cheiro deles ficou nas minhas roupas e não é nenhum pouco agradável... nada que água, sabão em pó e amaciante não resolvam. Porém o sorriso deles e a sensação de ter estado lá ficou na minha memória e isso não será esquecido. De bônus fui com um grupo de colegas que eu admiro mas não tenho contato e isso foi muito legal também, resumindo estou satisfeita e feliz.

Tenho sentido na pele o amor do qual Jesus falou.
Anny Gomes 09/11/2012