segunda-feira, 15 de julho de 2013

Memórias, sonhos e reflexões com uma pausa para "Os Miseráveis"

Memórias, sonhos e reflexões - Carl Gustav Jung.
Fazia algum tempo que nenhuma leitura mexia comigo de forma tão profunda.
Confuso? Sim, bastante. É necessário crer nos "algos" sobrenaturais da vida para encontrar uma pequena abertura para compreendê-lo. Instigante e misterioso.
Uma autobiografia totalmente diferente de todas que li, pois ela não fala necessáriamente do "escritor" e sim com o leitor. Uma busca pela totalidade tanto existencial quanto psíquica, a compreensão de uma realidade mais elevada, um mundo metafísico, um confronto com sua duplicidade e um encontro com seu self.
A impressão que obtive foi o de um despertamento acerca do "ser" e "estar", e da comprovação de que mais alguém conheceu o "algo elevado" da vida em um todo.
A vontade foi de lançar fora o persona, deixar as tendências emocionais de meu anima "sentir" desenfreadamente, conversar e rever histórias com meu inconsciente pessoal, sentir a gravidade "zero" elevar meu ser aos espaços obscuros da existência humana. Uma leitura que com certeza irá manter seus efeitos por alguns dias, e até mesmo gostaria que fosse arquivada no inconsciente.

Um outro momento desse final de semana que atingiu níveis de "energias" elevadíssimas foi assistir "Os Miseráveis". Um enredo magnífico, um musical inesquecível baseado na obra de Victor Hugo - lançado em 1862, com um elenco de tirar o fôlego: Anne Hathaway, Hugh Jackman, Amanda Seyfried, Eddie Redmayne e Russell Crowe.
Atuações impecáveis e de deixar lágrimas nos olhos (Daniel Huttlestone, no papel do pequeno Gavroch, menino que deixou todos no ápice de suas emoções e com vergonha de não ter 1% por cento de sua atitude diante a própria "vida").
A performance de Anne Hathaway é de tirar o fôlego! Sua beleza mesmo com "cabelos curtos" é divina (houve uma cena que seu cabelo foi cortado com uma faca), sua graciosidade, sua exteriorização emocional, totalmente divino.
Na plenitude da Revolução Francesa, em meios a Batalha de Waterloo e os motins de junho de 1832. Jean Valjean, um condenado a 19 anos de prisão e trabalhos forçados ganha liberdade condicinal, muda sua vida, encontra-se com Deus, porém em um específico momento passa a ser perseguido pelo Inspetor Javert. Jean Valjean se vê em débito (muito longo para detelhar) com Fantine e tira Cosette das mãos de Monsieur e Mademoiselle Thénardie. O empenho dos jovens estudantes em defesa de uma causa nobre de justiça e esperança para um povo sofrido. São tantos momentos, são tantos detalhes. É incrível a intensidade na qual senti minhas emoções sinalizarem tanto. O final foi surpreendente, fico sem fôlego só em lembrar.
Mensagens incríveis como essa, que era dita em coro pelos jovens em meio as "chamas" da vontade de uma mudança: "Há uma chama que nunca morre, a noite se encerrará e o sol despontará", ou essa, cantada por Cossete no ápice de um sentimento de amor por Marius: "Amar outra pessoa é como ver a face de Deus". Tenho viva em minha memória auditiva as harmônicas e os baixos da canção inicial:
 "Look down, look down, and see the beggars at your feetLook down and show some mercy if you can"

Amo quando alcanço esses níveis de satisfações pessoais e emocionais através de tão pequenos recursos. Normalmente são gastos algumas horas nessa belíssima empreitada por conhecimento. E quase sempre é necessário que haja mais pessoas envolvidas, um ambiente confortável, muitos livros, muita pesquisa, pitadas de melancolia, etc...
Mais um final de semana interessante. Reunião com amigos, música na beira do mar, novas identidades na qual se fazem conhecidas, projetos, filosofias, psicologias, essas coisas todas que amo e não saberia viver se não as tivesse. Mais um módulo iniciando, uma semana novinha em folha para ser vivida e ser agradecido a Deus pela mesma. Isso é viver, ser feliz com o que temos, com o que podemos e como podemos. Simplicidades complexas de uma mente desperta, emoções na qual a razão não têm idéia de como pará-la. Um belo dia Mentes Criativas!! Sejam amantes de si próprio, as vezes isso é importante! Assistam musicais, leiam livros, permitam-se conversar com suas emoções, com seu eu. com seu self.

J. Gonçalves, 15 de Julho de 2013, Balneário Camboriú, (Adentrando os portões do mundo metafísico)