terça-feira, 9 de julho de 2013

Coletividade Inconsciente

http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/57/artigo184590-1.asp
Extraído do site Portal Ciência e Vida.

Coletividade inconsciente
Psicanalista Carl G. Jung estudou formas primitivas da nossa mente e criou teorias de arquétipos que explicam nosso comportamento e nossa busca por autoconhecimento

Conrado Matos


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O psicanalista Carl Gustav Jung nasceu na Suíça e foi discípulo de Freud. Aprendeu Psicanálise e a levou para vários campos do conhecimento humano, um deles foi a Psicologia das Religiões, que Jung discutiu profundamente. Logo, também, para sua própria teoria, a "Psicologia Analítica".
Jung em uma análise sobre os povos primitivos descobriu a existência de um inconsciente primitivo, ou seja, primeiro ou primordial desde o início de qualquer geração humana. Este inconsciente, Jung denominou de inconsciente coletivo.
O inconsciente coletivo de Jung se conceitua por se estruturar nas imagens primordiais do desenvolvimento mais primitivo da psique. O homem herda tais imagens do passado ancestral, passado que inclui todos os seus antecessores pré-humanos ou animais. Dentro desses aspectos, Jung quis dizer que o ser humano traz psicogeneticamente um inconsciente herdado dos seus ancestrais mais primitivos possíveis, e que vai passando de geração para geração.

Personalidade humana
De acordo com a teoria Junguiana, levando aqui como discussão a obra dos psicólogos Calvin S. Hall e Vernon J. Nordb (Introdução à Psicologia Junguiana, Cultrix, SP), a psique faz parte da personalidade como um todo em primeiro lugar no ser humano, portanto, de acordo com o pensamento de Jung o homem não luta para ser um todo, ele já é um todo, ele nasce como um todo.
Em relação ao inconsciente coletivo, Jung denominou o seu conteúdo de "arquétipos", que são Universais, e que todos nós herdamos as mesmas imagens arquetípicas básicas. Entretanto, Jung considerou cinco tipos de arquétipos que desempenham papéis importantes na personalidade humana. São eles os arquétipos: Persona ou máscara, animus, anima, sombra e o Eu.
Jung dizia que o indivíduo deve saber lidar com os vários papéis que assume na vida, ou seja, deve saber conviver com vários personagens, sem se envolver definitivamente com a máscara - saber usar a máscara e saber sair dela sem se prejudicar. Jung classificou a máscara de face externa.
Usar a persona, ou máscara em vários papéis sociais de maneira desequilibrada, pode provocar danos em diversos comportamentos humanos, seja através das relações intrapessoais ou interpessoais, em qualquer indivíduo que não seja capaz emocionalmente de conviver com várias máscaras, como por exemplo, no trabalho, na família, na profissão, e de modo geral na vida afetiva. O melhor equilíbrio é saber usar a máscara e saber sair dela, e saber usá-la quando bem precisar, como faz um ator com diversos personagens.
O Anima, Jung o classificou de face interna nos homens e o Animus de face interna nas mulheres. Sendo assim, o Anima constitui o lado feminino da psique masculina, e o Animus constitui o lado masculino da psique feminina. Cada homem tem uma mulher dentro de si, assim como cada mulher tem um homem dentro de si. Desta forma, durante muitas gerações o homem desenvolveu seu arquétipo Anima pelo relacionamento continuado com as mulheres e vice-versa.
Outro arquétipo que influi nas relações de pessoas do próprio sexo, que Jung denominou de Sombra. Este arquétipo faz parte da história evolutiva e mais aprofundada do homem, podendo ser mais poderoso e potencialmente mais perigoso de todos os arquétipos. Pode ser a fonte que há de melhor ou pior no homem, particularmente em suas relações com outras pessoas do mesmo sexo.
A sombra pode ser se tornar perigosa quando os homens tendem a projetar os impulsos de sua sombra rejeitada nos outros homens, de modo que, entre eles, surgem com frequência sentimentos negativos. O mesmo ocorre com as mulheres. A sombra tem uma natureza resistente e ao mesmo tempo persistente, e igualmente eficaz, tanto para promover o mal ou o bem. A rejeição da sombra diminui a personalidade. É na sombra onde estão contidos os ímpetos animais do ser humano, e que na visão de Jung devem esses ímpetos ferozes e vorazes ser domesticados no indivíduo.
O maior de todos os arquétipos, Jung apontou para o Eu, que é considerado o organizador da personalidade humana. Foi ao Eu que Jung classificou como principal arquétipo do inconsciente coletivo, considerando-o como elemento superior, unificador e harmonizador entre os demais arquétipos e suas atuações nos complexos e na consciência.
Sem a presença do Eu, os demais arquétipos do inconsciente coletivo não conseguem ter firmeza e união. Portanto, compreende-se no conceito de Jung que, o Eu assume o comando interno interno e gerencia os conflitos dos traumas associados aos complexos, como também aos arquétipos, máscaras, animus, anima e sombra. É o Eu nesta condição psíquica, a suprema consciência, e que deve exercer com eficácia o seu trabalho. Do ponto de vista de Jung, a meta final de qualquer personalidade é chegar a um estado de autorrealização e de conhecimento do seu próprio Eu. CONTINUA...