segunda-feira, 17 de junho de 2013

Hoje o dia está normal... Não! Claro que não!


Milhares são as vezes que escuto essa frase. Muitas vozes e timbres diferentes já pronunciaram esse desabafo repetido. 
Não consigo dizer isso. Nunca considero que os dias sejam normais. Nunca os vejo sendo repetitivamente normais. Há dias em que me alegro somente em ouvir o som dos pássaros. Em ver alguma folha oscilando entre os espaços. Tão simples, tão mínimo, e isso já basta para emocionar minha razão. Há outros que sinto a  negatividade de tudo e todos. Outros mais sinto saudade de mim mesmo, saudade dos lugares que ainda estarei. Saudade de um futuro que ainda não conheço. 
Hoje é um dia em que sinto saudade do meu belíssimo e maravilhoso passado. Passado até os 18 invernos vividos. Quantos foram os dias entre amigos jogando futebol nas ruas de terra batida atrás de minha casa. As pipas que emocionavam e palpitavam o coração quando “funcionavam” e ganhavam seu espaço no céu. Pipas feitas por nós mesmos. Uma sacola plástica, duas varetas, barbantes e muita linha de pesca, e a emoção enorme em vê-las onde queríamos estar. Livre, e voando. As corridas de bicicletas em trechos desconhecidos e perigosos. Adrenalina pura e intensa para jovens de 10 anos de idade. 
Nos sentíamos os soldados americanos desbravando terrenos. 
Saudade de mandar minha mãe parar de fazer barulho para eu poder seguir dormindo. Mais saudade ainda é de ouvir ela mandando eu levantar e deixar de ser preguiçoso. Isso as 6:30 da manhã. Pensa, 6:30... 
Se eu soubesse... 
Se eu soubesse que hoje não a teria aqui do lado, teria dormido bem menos e estado bem mais presente. Teria tentado fazer os dias serem “normais”.
O curso da normalidade em nossa mentes sempre resolve tomar caminhos diferentes. O fato de projetarmos um determinado "rumo" pessoal para as nossas vidas tornam-nos pessoas normais. Porém "vida" insiste para que não nos tornemos mais um "normal". Sabe como?
Não deixando acontecer nada daquilo que planejamos.
A vida, o rumo, o caminho, a estrada como sempre chamo esse período prolongado caminhando sobre a plataforma terrestre, gosta de aventuras, adrenalinas a níveis absurdos, é apaixonada por sensações novas e intensas, ama sentir os níveis de [dopamina] aumentarem gradualmente em cada ambiente novo desbravado inconscientemente.Com mais certeza ainda, existe o sagrado vício de sentir as [endorfinas] absurdas sendo produzidas pela hipófise para gerar doses altas de conforto diante dos momentos de dor prazerosa. 
Olhe para o lado, olhe-se no espelho, olhe para a rua, olhe para o céu, abra sua agenda e veja quais compromissos você têm amanhã, veja quais são seus amigos, perceba o quanto está distante de suas próprias escolhas! 
Vamos fazer isso se tornar mais intenso! 
Olhe agora para seu self do passado. Para você mesmo a uns 10 anos atrás. Veja o quanto afastado está da trilha empoeirada na qual você mesmo criou para ele, na qual seus próprios pais o incentivou (ou tentou) a ir. Diferente não é? Completamente, absurdamente diferente! 
Nossa [percepção] e [sensação]  vai muito além dos liminares absolutos! 
Não percebemos o mundo como ele realmente é, mas de um modo útil a nós mesmos. O dia "normal" é um uso com verdadeira insensibilidade sobre a essência da vida. 
Os dias não podem ser normais. 
Os dias precisam ser aventureiros e desbravadores, por mais que somente esse café sobre a mesa seja o momento mais aventureiro de meu dia...
J.Gonçalves, 17 de Junho de 2013.