sexta-feira, 7 de junho de 2013

Reprovação

As notas da prova que tanto esperávamos chegou!
Eis minha decepção: 5,5 (que vergonha).
Isto é inadmissível!
Tragam os lenços, chorarei até desidratar!
Tragam os livros, estudarei até que o sono me vença!
Tragam as broncas e o castigo.
Oh, isso é terrível. Como que eu vou sobreviver a essa nota?

Hey... espera... não está doendo. Não me sinto a criatura mais burra do Universo!
Não estou com vergonha. Não há lágrimas. Não há culpa.
Acho que finalmente aprendi que não preciso ser exemplo de perfeição o tempo todo.
Que frio na barriga é esse? Sensação de adrenalina me dizendo que terei de fazer um pouco mais.
Um desafio, finalmente! Um desafio.

Vemos que estamos mudando, quando não respondemos da mesma forma as questões anteriores.
Percebo minhas falhas e elas não me abalam como antes. Saboreio meus erros como quem se entrega aos encantos do chocolate. Como é satisfatório tirar 5,5 quando lembrei que meus colegas passaram semanas lendo textos e noites inteiras estudando para tirar 8, enquanto eu não dediquei-me 1 dia sequer.
Sinto-me privilegiada pela alegria de tirar a nota que mereci. Admiro a professora que não se rendeu ao tom poético de minhas enrolações, mas com justiça elogiou a colega que com simples palavras, quase que vazias  - assim consideradas por mim - demonstrou que valeu a pena seu tempo investido na disciplina em questão.

Esse sorriso bobo de criança que aprende algo novo não sai de meu rosto.
Aprendi.
Vivi o que tanto falei.
Senti na pele a emoção de um fracasso. Como é bom sentir isso. Como é bom me permitir errar.
Sem culpa, sem peso, sem vergonhas absurdas. Estou sendo uma acadêmica de verdade. Estou sendo um ser humano normal, que erra, que falha, que fracassa...
Senti o que tanto desejava! Aquela nota monótona parou de me perseguir.
O orgulhoso 10 parou de alimentar meu ego.
As notas razoáveis entre 7 e 9 pararam que fortalecer a maldita acomodação.
O 5 ousou incomodar-me. Querido 5, amado e precioso 5, trampolim que me tira da zona de conforto e me leva ao confronto com meu self intelectual preguiçoso e me mostra que o mundo fora do meu aquário é interessante.
Ah o sentimento bom de ter errado e aprender com isso. Como é bom me dar o direito de errar, sem o peso da acusação do meu superego punitivo.
Essa motivação borbulhante me impulsiona a fazer mais, a surpreender, mostrar pra mim mesma que ainda há 5 degraus me esperando. Uma nota ruim, nada mais é que a oportunidade de me superar.
Concluo que desbravar o cenário do 5, não me torna medíocre ou inferior aos meus parâmetros pessoais, apenas me coloca no jogo, em um nível novo dessa fez.
É tempo de competir.