sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Você já suspirou hoje?

Você já suspirou hoje?
Estranha pergunta não acham? Porém algo interessante pode ser abordado diante da tão simples palavra SUSPIRO.
Houve algum momento do meu dia de hoje que utilizei um suspiro para expressar meu cansaço diante de tantos papéis, documentos e trabalhos a serem examinados. Isso lembrou-me de um relato do autor Max Lucado sobre o “suspiro”.
No mesmo momento fui tomado por um belo insight para escrever mais essa reflexão. Em vários momentos de minha vida suspirei de alegria por algo conquistado.
Suspirei de alegria por ter visto ou tido algum sentimento feliz. Suspiro seguidamente de saudade pelas pessoas que já se foram, pessoas que saíram de minha vida de forma brusca. Também suspirei de paixão, muitas vezes pelos amores que já vivi, suspiros de carinho e amor, por estar perto daquela que me fazia bem. Quem nunca suspirou por isso?
Suspirei por ter concluído com êxito alguma tarefa imposta, suspirei por ter sido capaz de fazer aquilo que foi desferido para a execução de minhas mãos. Suspirei de tristeza e desânimo muitas vezes por não ter realizado no futuro aquilo que planejei no presente. Suspirei chorando nos momentos difíceis e “intransponíveis” (aos olhos humanos), em minha vida. Suspirei na expectativa de sonhos realizados, na conquista de algo que estava a caminho.
São tantos suspiros. E por trás de cada um deles há suas consequências e histórias.
Mas hoje descobri outro suspiro, um suspiro doloroso e que machuca a psiquê daquele que o desfere. O suspiro da frustração.
Um suspiro que permanece escondido entre a ira e a um romper de lágrimas. Até pouco tempo eu não sabia como nomear os suspiros de minhas ansiedades e aqueles dos momentos que absorvo os problemas externos de muitas pessoas.
Sempre suspiro quando algum mendigo pede-me uma moeda. Suspirei quando aquele amigo chegado falou-me que seu casamento não estava indo as mil maravilhas. Suspirei quando meus amigos, aqueles que são mais chegados que irmãos, ligaram-me e disseram que sua esposa o havia abandonado. Suspirei quando ouvi sobre aquele cidadão conhecido que estuprou a própria filha. Suspirei em ver os maus tratos em asilos de idosos. Suspirei quando ouvi de uma amiga, a tentativa de assassinato do marido contra a esposa, quando a mesma tinha poucos anos de vida e presenciou a situação. Suspiro quando vejo os olhos brilhando, o coração acelerado e os movimentos involuntários do jovem viciado em cocaína. Suspiro em ver os caminhantes de ruas, sem destino, com os pés descalços, sujos e em busca do nada. Suspiro em ver a injustiça daqueles que possuem bens e acham que podem ignorar alguém que não possuem o tanto deles. Suspiro em ver os milhares de roubos encobertos pelo nosso governo, enquanto aquela mãe trabalha diariamente, e mal consegue alimentar os filhos, e dar uma vida digna aos mesmos. Suspiro quando olho a vida se desfazendo nas mãos dos homens. Suspirei quando ouvi a notícia dos 252 jovens mortos, pela negligencia dos donos da boate que pegou fogo, por estar fora das condições devidas.
E dói. Dói muito dar esse suspiro de frustração, esse suspiro de falta de capacidade de minha parte. Está tudo errado, está tudo invertido. O homem não nasceu para viver dessa maneira, carregando essas calamidades e sombras presos ao seu “Eu”.
Fomos gerados das entranhas do Divino. Teve um dia que já vivemos no belíssimo jardim do Éden, junto ao autor do Universo. E foi só nos afastarmos dEle, que tudo virou de cabeça para baixo. Todos esses suspiros de frustração são de uma esperança adiada. Adiada ao ponto de sempre esperarmos que algo mude.
E pergunto a você: Algo irá mudar? Quando cessarei de suspirar as frustrações de minha alma diante daquilo que o mundo me apresenta? Conformo-me, ou aceito a proposta de continuar tentando ser diferente? Sigo amando o ser humano, ou desisto e torno-me mais um egoísta?
Assim como Cristo suspirou diante da surdez e a gagueira de um homem nas terras de Tiro, decido suspirar também. Parece que posso ver o pensamento de Cristo diante daquele homem: ”Seus ouvidos não foram criados para não ouvir, sua língua não foi feita para tropeçar”. O mesmo desequilíbrio na vida que entristeceu o Mestre, também me entristece.
E a você? Também entristece? Creio que Jesus ainda suspira diante da cena presente que a humanidade oferece. Porém, esse gemido me acalma, pois Ele geme pelo seu povo, e espera ardentemente o dia em que poderá cessar o gemido dos suspiros. Onde a vida, há esperança, e é nela e nEle que minhas mãos seguram firmemente. Rumo ao sonho de que um dia os suspiros de frustração de nossa alma cessem.
J. Gonçalves, 31 de Janeiro de 2012, (madrugada pensativa e sem sono algum!)