sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Liberdade, que de livre não têm nada

Os dias têm sido curtos, as noites menores ainda (tanto que logo pela manhã, a primeira pergunta é se eu estava na farra na noite anterior. - Não gente, claro que não. Sou acadêmico de Psico, a vida é essa, cara inchada sempre).
E isso, com plena certeza, é um influenciador para que a melancólica companheira solidão, assente-se ao meu lado nas calçadas da trajetória. 
Pior ainda é ver esse blog abandonado. Dói no coração. Estamos na labuta, eu e a Anny, tentando transferir nossas idéias, projetos, aprendizados sempre que possível, para cá. Nesse nosso cantinho de refúgio intelectual e filosófico. 
Vamos ao que interessa, um pouquinho do que têm sido meus dias e as novas sinapses que foram incentivadas a acontecer. As aulas têm sido maravilhosas (tirando uma ou outra situação), novos conceitos, novas abordagens, informações transformadoras, realidades antes inacessíveis, agora companheiras de percurso.
Algo que algum tempo vinha sido como um ponto de interrogação, tornou-se reticências. Reticências pelo fato de eu ter vislumbrado somente uma fraca luz em um túnel infinito. 
Falaremos sobre o livre-arbítrio. 
Um assunto que ainda permanece com milhares de raízes e conceitos. Há aqueles que acreditam que seu destino está escrito nas estrelas, outros que crêem em deuses, outros em condicionamentos socias e os mais variados mitos e crenças. Bom, não quero que entendam como o "certo" ou "real" meu ponto de vista. É uma questão de subjetividade e até mesmo um pouco de falta do espírito crítico.
Um fato inicial acerca do livre-arbítrio seria que, somente temos a liberdade de fazer aquilo que nosso organismo, nossa natureza, assim o permite. 
Algo como: -Quero voar sobre a cidade.
Isso não será possível pelo fato de nossa natureza biológica não ter as condições necessárias. Por mais que tenhamos o chamado livre-arbítrio para fazê-lo, não podemos.
Partamos então para um princípio básico da "liberdade". Um homem livre seria "aquele" que agiria segundo sua vontade, idéias e propósitos, realizando suas escolhas de acordo com que considera melhor. Para que isto aconteça seria preciso estar livres dos obstáculos, logo, ser livre é estar longe dos empecilhos que o prejudicam de exercer a liberdade. Já temos então, um conceito que normalmente ninguém percebe. 
Liberdade esta intimamente relacionado a fuga ou esquiva dos estímulos que andam conosco todos dias. Cheguei a uma prévia conclusão de que não fazemos o que realmente queremos, e sim executamos o que precisa ser feito para escapar da punição dos obstáculos que nos impedem de chegar a tal "liberdade". Seria nada mais do que um aspecto do condicionamento operante, o chamado, reforço negativo (manter ausente as consequências punitivas).  
Ou seja, ainda estamos sob controle. Controle ambiental, controle social (este totalmente intensificado), controle cultural, entre outros. 
Liberdade é somente um reforço positivo. Repetição de estímulos que "conduzem" ao bem estar pessoal. 
Vivemos presos em nossas próprias escolhas e pré-definições acerca da vida e mundo, presos em nossa cultura, presos socialmente, presos em nós mesmos. 
O fato de estar aqui, sentado em minha mesa, lendo e escrevendo, é consequência de minha própria escolha de gostar escrever e ler. Essa escolha foi gerada através de uma estímulo familiar e comportamental, que nasceu também de outro estímulo, e outro, e outro... 
Sendo portanto, o controlador e a projeção de tudo o que sou. 
Logo, isso também serve para as respostas que serão produzidas através desse estímulo de estar escrevendo. Escreverei, lerei novamente, farei correção, divulgarei, vocês leram, isso gerará algum estímulo, e outro, e outro... 
Já existem reportagens que sustentam a informação de que neurocientistas descobriram, através de mapeamentos, a existência de atividade cerebral antes mesmo de se ter uma consciência de escolha. Para quem tiver curiosidade sobre isso clique aqui. Não abordo nada a respeito disso pelo fato de ter sido lançado por uma revista, portanto pode ter sido sujeito a adaptação para venda ou propaganda, não sei.
Confesso que fiquei triste com essa suposta descoberta, mesmo que ela tenha me acompanhado desde o começo de minha existência. Tudo bem, aceito o fato de não poder fazer muitas coisas que gostaria, porém chegar a essa compreensão e condição que meus próprios estímulos me impõem, deixaram-me surpresos. Sei que minhas escolhas geram uma resposta, porém não imaginava que fosse em proporções tão agigantadas e totalizadas. 
Isso gerou tantos conflitos internos acerca de outro tipo de "livre arbítrio" - o religioso. Minhas definições e aprendizados até o momento sobre a liberdade no aspecto religioso caíram por terra. Espero que futuramente, possa abordar novamente, porém com mais informaçõe e clareza do que seria livre-arbitrio para a religião. 
A vida é assim. Esvaziar-se para encher-se novamente. Re-construir, re-começar, re-criar, re-definir etc... 
Essa é a caminhada da ciência, da fé, e do amor.
Estou feliz! Vida tranquila, intensa, positiva... 
Enfim, vivendo conforme meus próprios estímulos do passado conduziram a resposta presente.
Sistema límbico sempre ativo. Saudades, paixões, amores, alegrias,tristezas, espantos. 
Vida!! Vivendo o presente mais belo que nosso Criador pode nos dar, a Vida dEle mesmo!!
Um beijo Mentes Criativas!!

J.Gonçalves, 16 de agosto de 2013. (Behaviorismos, Antropologias, Neurotransmissores, solidões produtivas nas calçadas da rua, bancos de parques, areias da praia, meu quarto, meus livros, meus sonhos).