segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Jabes e os tomates


Era uma vez, ou melhor, ainda é, pois a personagem da história ainda existe, uma menina chamada Jabes. Ela tinha seis anos e morava com seu pai, já que sua mãe tinha desistido da família e ido embora. Jabes estava com vontade de comer tomate, então como qualquer criança, pediu ao seu pai. O pai entristeceu-se, pois não tinha dinheiro para satisfazer o simples desejo de sua filha. Sábio e carinhoso, disse-lhe:
- Não tem! Mas pede para Deus que Ele vai trazer tomate pra você.
Jabes questionou: - E Deus pode me dar tomate, pai?
- Claro que pode! Ele é o dono de todos os tomates do mundo.
Como sabemos, crianças nesta idade visualizam tudo no concreto, ainda não possuem capacidade de abstração. Os olhinhos da pequena brilharam e seu queixo caiu, enquanto imaginava Deus passeando por entre suas gigantescas plantações de tomate, viu também seus celeiros lotados de bolinhas vermelhas e isso fez com que Jabes corresse ao quarto, em uma atitude de fé ajoelhou-se na cama, juntou as mãozinhas e pediu para Deus uns de seus inúmeros tomates.
Correu de volta ao pai e começou a incomodar-lhe perguntando quando Deus a presentaria com o que tanto queria naquele momento. O pai docemente respondeu que esperasse, pois logo logo seu pedido seria atendido. A garotinha ficou na porta, olhando para o céu e se perguntando se uma cegonha traria os tomates como traz os bebês, ou se eles cairiam do céu, ou se apareceriam de repente como mágica...
Ali ficou, com o coração ansioso e com suas imaginações. (Como crianças são encantadoras, fico tentando enxergar seu rostinho aminado e o frio na barriga que deveria estar sentindo durante a espera...)Passaram-se alguns minutos, e ao longe Jabes avistou um homem caminhando. Sua expectativa era de que fosse Deus trazendo seus tomates. Frustou-se ao perceber que era apenas seu tio, que todos os dias levava dois baldes de água tirados da bica para a família. Quase desanimou, mas conforme o tio se aproxima, seu rosto se ilumina, borboletas dançam eu seu estômago, e Jabes frenética começa a pular sem conter a alegria que a invade. O tio fala da porta:
- Hoje não veio água, trouxe uns tomates para você!
-Vou chamar o papai.
- Não Jabes, é pra você.


Não preciso continuar contando, nem colocar a moral da história aqui. Posso falar que a simplicidade de um coração de criança faz com que Deus dê um jeitinho de prover tomates, ou qualquer outra coisa que possamos querer. Céticos falarão que tudo não passou de uma mera coincidência, outros rirão e talvez lembrem de Jabes na hora do almoço, ou quando passarem no supermercado. Contudo, alguém, mesmo uma única pessoa, irá sorrir e deixar uma lágrima escorrer lembrando-se do Deus no qual colocava sua fé durante a infância.
Sou suspeita para falar, pois tenho um relacionamento intenso com o Deus dos tomates, que pra mim foi também dos celulares, do notebook, das roupas, das viagens, das curas, das realizações, das conquistas, da felicidade, das transformações, da paz, do amor, da cruz...
Que é uma fonte inesgotável de tudo que há de melhor dentro de mim e que me transborda de sua essência sobrenatural diariamente.

No livro que deu origem a esse blog, meu amigo Júlio colocou uma frase que pode descrever com precisão minha posição hoje, "um pouco de ciência, um pouco de fé e doses exageradas de amor".
Esta é a fórmula para uma vida dar certo, esta fórmula resulta em equilíbrio.
Há tanto nesse mundo que jamais passará pela sua retina, há conhecimentos profundos que nossa pequena e limitada mente jamais conseguirá absorver, há problemas tão grandes que poderiam nos destruir. É muito de tudo pra todos os lados. Só somos realmente fortes para tudo isso quando estamos escondidos nAquele que É maior que nós.
Fé não tem muito a ver com religiões inventadas e regras sufocantes. Deixemos de lado as cercas e os muros que estão ao redor de muitos, e sigamos O Caminho. É mais leve, mais prazeroso e mais satisfatório.