segunda-feira, 15 de abril de 2013

Caminhando, chorando e pensando


São 23:00 horas, fecho o note book depois de rever algumas fotos. Em particular uma com minha mãe.
Está frio. Minha cabeça está em convulsão existencial. 
Coloco um tênis, ponho uma jaqueta, pego as chaves de casa, fone de ouvido e desço do apartamento. 
A brisa fria intima-me. Acendo um cigarro, e a memória olfativa traz de volta a sensação das bebidas da noite passada. 
Penso: “Chega dessa merda”. Ponho os fones, seleciono uma música aleatoriamente e toca essa:

“Quem está ao meu lado. Eu não sei por onde seguir. Está escuro e faz frio. Minhas forças eu perdi. Os que eu amava partiram. Meu caminho perdeu o sentido. Ao chorar no escuro percebi, havia alguém ali...”

Aconchego minhas mãos nos bolsos da jaqueta e caminho... Ando... Penso...
Pensei ser mais forte. Pensei ser mais equilibrado. Mas ainda assim, depois de quatro anos, o sentimento é o mesmo. Dor, medo, angústia e as vezes até desequilibrio em relação a esses assuntos familiares. 

Os anos irão passar e não poderei nunca mais falar: -Mãe.
Meu celular jamais registrará essa palavra -“Mãe”-, quando tocar. 
Meus filhos não terão a presença de quem me deu a vida. 
Minha esposa não terá uma sogra, como normalmente era para ser. 
O tempo mostrará seu poder e dará rugas a minha face hoje jovem, porém não terá influencia, muito menos terá forças para diminuir ou apagar o sentimento de perca. 

Uma foto do passado fez as lembranças virem a tona como uma boia quando lançada sobre as águas. Surpreendente como nossa memória registra as sensações do passado, principalmente quando são marcantes. A saudade escorreu pelos olhos. 
Caminhando, lembrando, chorando e me perguntando: Qual a fórmula para apagar isso? 
Nesse momento, me senti sozinho. Olhei para as casas e apartamentos. Cada um deles com famílias e histórias. Cada um deles com olhares diferentes em relação ao mundo, a vida. Aqui estou, ainda caminhando, chorando e pensando. Nesse instante de forma literal, mas diante de tudo isso, desloco essas três ações para a estrada da vida que se estende sobre meus pés. 
Conclusão: Caminhando, chorando e pensando.  A vida é essa. Não só para mim, para muitos também. Mas algo me alegra diante de toda essa orquestra em tom menor e melancólica. 
"Há alguém ao meu lado". 
Há um que está ao me lado desde meu primeiro choro nessa existência. Há um que esteve ao meu lado desde aquela vez que com seis anos de idade, chorei com medo de assombrações. Há um que esteve ao meu lado quando fui assaltado e consegui fugir. Há um que está ao meu lado a 23 primaveras e 10 meses de existência. 
Lembrei que sou humano, não consigo ser perfeito. Preciso sentir. Preciso precisar de ajuda. Isso me torna humano. Tudo faz parte de um processo na existência. 
Amo a ciência lógica, mas sou amante da fé e esperança. Positividade e fé em Deus.
Jamais estaremos só (VÍDEO) NEle todos sentimentos negativos biológicos se transformam em força e esperança. A dor e sensações jamais passarão. Mas a estrutura psicológica e física será capacitada para suportar a caminhada cheia de choros e pensamentos. Essa frase antiga serve exatamente para essa reflexão: “Jamais peça a Deus para deixar de lado a cruz que carregas, mas sim peça ombros fortes para carregá-la até o final...”
Júlio Gonçalves, 14 de abril de 2013.