quinta-feira, 7 de março de 2013

Vidas que se resumem a 67 curtidas e 90 seguidores

“Hoje a foto no meu FaceBook ganhou 67 curtidas” “Eu estou com 90 seguidores”

Com a cabeça reencostada no vidro do ônibus. Entre os solavancos, observando a oscilação que o vento causava na chuva que caia mansa, como quase parando no ar. Encolhido em um poltrona, relembrando-me do que fiz em meu dia. Daquilo que absorvi. Naquela situação que poderia ter feito diferente. 

Normalmente interiorizo em meu mundinho e não há nada que me tire dele. Porém as palavras citadas acima entre as aspas, roubaram minha atenção como ladrões a surdina da noite. A dona dessas palavras eram de uma menina "linda", que conversava animadamente com seus amigos no banco atrás do meu. Sua beleza ezvaiu-se diante dos meus olhos quando esse comentário alimentador de ego foi dito.

A primeira coisa que pensei foi: E que diferença isso faz na sua vida? Qual fator beneficiador positivo há? Maciez do ego? 
Sim, por alguns segundos somente. 
Auto estima elevada? 
E desde quando FaceBook levanta a auto-estima de alguém de forma permanente? Alegria de ver as pessoas exaltando o seu exterior? 
Vem cá! Elogios on-line. Elogios de alguém que nunca viu você cara a cara, olho no olho, valem alguma coisa? Acrescentará algo positivo e que dê a alegria permanente? 
Estão me seguindo e isso é bom...
E no momento em que você precisar levantar-se do tombo que caiu por circunstâncias do destino, quantos desses 90 irão estender a mão em sua direção? 
Quando o mundo cai a seu redor, quem será deles que o abraçará e o protegerá do dia mau? 

Não passamos de falsas aparências e lustradores de egos mortos. O genuíno “elogio” surge quando não se está presente. Quando aquilo que você fez é lembrado e admirado, sem precisar relembrá-lo através de  suas fotos ou perfis. 
Sejam autênticos meu povo. 
Autenticidade gera um ser psicologicamente equilibrado em seu ego e na vontade de “ter” e “ser”!! 
Aquele que tem algo de valor em suas mãos, corpo ou mente dê quando não há olhos observando, admirando ou criticando. 
Aquilo que fizemos de bom não precisa ser apresentado por nós mesmos. Isso é ignorância e vulgaridade... E disso no mundo não precisamos de mais ninguém...

J. Gonçalves, 06 de Fevereiro de 2013... Pós aula de Psico.