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Extraído do site Portal Ciência e Vida.
Coletividade inconsciente
Psicanalista
Carl G. Jung estudou formas primitivas da nossa mente e criou teorias
de arquétipos que explicam nosso comportamento e nossa busca por
autoconhecimento
Conrado Matos
O psicanalista Carl Gustav Jung nasceu na Suíça e foi discípulo
de Freud. Aprendeu Psicanálise e a levou para vários campos do
conhecimento humano, um deles foi a Psicologia das Religiões, que Jung
discutiu profundamente. Logo, também, para sua própria teoria, a
"Psicologia Analítica".
Jung em uma análise sobre os povos primitivos descobriu a existência
de um inconsciente primitivo, ou seja, primeiro ou primordial desde o
início de qualquer geração humana. Este inconsciente, Jung denominou de
inconsciente coletivo.
O inconsciente coletivo de Jung se conceitua por se estruturar nas
imagens primordiais do desenvolvimento mais primitivo da psique. O homem
herda tais imagens do passado ancestral, passado que inclui todos os
seus antecessores pré-humanos ou animais. Dentro desses aspectos, Jung
quis dizer que o ser humano traz psicogeneticamente um inconsciente
herdado dos seus ancestrais mais primitivos possíveis, e que vai
passando de geração para geração.
Personalidade humana
De acordo com a teoria Junguiana, levando aqui como discussão a obra dos psicólogos Calvin S. Hall e Vernon J. Nordb (
Introdução à Psicologia Junguiana,
Cultrix, SP), a psique faz parte da personalidade como um todo em
primeiro lugar no ser humano, portanto, de acordo com o pensamento de
Jung o homem não luta para ser um todo, ele já é um todo, ele nasce como
um todo.
Em relação ao inconsciente coletivo, Jung denominou o seu conteúdo
de "arquétipos", que são Universais, e que todos nós herdamos as mesmas
imagens arquetípicas básicas. Entretanto, Jung considerou cinco tipos
de arquétipos que desempenham papéis importantes na personalidade
humana. São eles os arquétipos:
Persona ou máscara,
animus, anima, sombra e o Eu.
Jung dizia que o indivíduo deve saber lidar com os vários papéis
que assume na vida, ou seja, deve saber conviver com vários personagens,
sem se envolver definitivamente com a máscara - saber usar a máscara e
saber sair dela sem se prejudicar. Jung classificou a máscara de face
externa.
Usar a
persona, ou máscara em vários papéis sociais de
maneira desequilibrada, pode provocar danos em diversos comportamentos
humanos, seja através das relações intrapessoais ou interpessoais, em
qualquer indivíduo que não seja capaz emocionalmente de conviver com
várias máscaras, como por exemplo, no trabalho, na família, na
profissão, e de modo geral na vida afetiva. O melhor equilíbrio é saber
usar a máscara e saber sair dela, e saber usá-la quando bem precisar,
como faz um ator com diversos personagens.
O
Anima, Jung o classificou de face interna nos homens e o
Animus de face interna nas mulheres. Sendo assim, o
Anima constitui o lado feminino da psique masculina, e o
Animus
constitui o lado masculino da psique feminina. Cada homem tem uma
mulher dentro de si, assim como cada mulher tem um homem dentro de si.
Desta forma, durante muitas gerações o homem desenvolveu seu arquétipo
Anima pelo relacionamento continuado com as mulheres e vice-versa.
Outro arquétipo que influi nas relações de pessoas do próprio sexo, que Jung denominou de
Sombra.
Este arquétipo faz parte da história evolutiva e mais aprofundada do
homem, podendo ser mais poderoso e potencialmente mais perigoso de todos
os arquétipos. Pode ser a fonte que há de melhor ou pior no homem,
particularmente em suas relações com outras pessoas do mesmo sexo.
A sombra pode ser se tornar perigosa quando os homens tendem a
projetar os impulsos de sua sombra rejeitada nos outros homens, de modo
que, entre eles, surgem com frequência sentimentos negativos. O mesmo
ocorre com as mulheres. A sombra tem uma natureza resistente e ao mesmo
tempo persistente, e igualmente eficaz, tanto para promover o mal ou o
bem. A rejeição da sombra diminui a personalidade. É na sombra onde
estão contidos os ímpetos animais do ser humano, e que na visão de Jung
devem esses ímpetos ferozes e vorazes ser domesticados no indivíduo.
O maior de todos os arquétipos, Jung apontou para o
Eu, que é considerado o organizador da personalidade humana. Foi ao
Eu
que Jung classificou como principal arquétipo do inconsciente coletivo,
considerando-o como elemento superior, unificador e harmonizador entre
os demais arquétipos e suas atuações nos complexos e na consciência.
Sem a presença do
Eu, os demais arquétipos do
inconsciente coletivo não conseguem ter firmeza e união. Portanto,
compreende-se no conceito de Jung que, o
Eu assume o comando
interno interno e gerencia os conflitos dos traumas associados aos
complexos, como também aos arquétipos, máscaras, animus, anima e sombra.
É o
Eu nesta condição psíquica, a suprema consciência, e que
deve exercer com eficácia o seu trabalho. Do ponto de vista de Jung, a
meta final de qualquer personalidade é chegar a um estado de
autorrealização e de conhecimento do seu próprio
Eu. CONTINUA...