quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Torres de Marfim

Esse blog anda meio abandonado, pois a agitação constante nos envolve em meio a trabalho, estudos, estágios, ministério e uma tentativa um tanto que frustada de vida social.
Estamos em etapa de construção, então é preciso em alguns momentos renunciar certos compromissos em prol de outros. Só não podemos perder o foco, e nos deixar distrair pelas muitas vozes que soam ao redor.
Os desafios vêm, e nós vamos "dando nossos pulos", para atravessá-los com graça e ousadia.
No meio dessa sociedade conturbada, onde a visão utópica de uma revolução total nos persegue em sonhos e devaneios, descobri em uma aula magnífica com uma professora genial e desastrada - que lembra a minha pessoa no futuro - sobre a tal revolução molecular. Esta, vem da ideia de mudar o mundo, contudo diz que se mudarmos nós mesmos, depois nossa casa, estaremos contribuindo para tal.
Então dou um jeito de ter tempo para o que amo. Paro tudo! Em um momento que deveria estar fazendo tantas outras coisas mais urgentes... só para relembrar alguns princípios, que diariamente que esvaem no meio do caos da selva de pedra.
Paremos de nos importar com o sistemas e com nossas revoltas sobre o que há de errado exteriormente, longe de nosso alcance.
E venhamos desbravar o mundo de nosso inconsciente, as mazelas de nossa alma há tanto o que descobrir, elaborar, transformar... E você aí sentado na frente da tela sendo bombardeado pela institucionalização do poder, do saber, do consumo.
Acorde! Saia de sua torre de marfim e viva seu discurso com garra e simplicidade. Não deixe os experts te convencerem de que sua sabedoria de nada vale. Volte as raízes, reviva a essência. Quem é você de verdade? Quando ninguém está vendo...
Perca-se e encontre-se, só não deixe de ser essa criatura preciosa que você sempre foi. As coisas que você vê são passageiras, em pouco tempo tudo desaparece. Resta apenas o que você não vê. Então dê mais valor ao que é invisível aos olhos e desista do vaguear da cobiça.
Respira fundo e recupere suas forças lute contra o turbilhão que cai sobre você, e não desista de nadar, pois mesmo que você acabe morrendo na praia, a melhor parte está do lado de lá, do outro lado da vida.
Dê um sorriso, ou dois, e vá correndo conquistar tudo que há pra você, só não esqueça que o TUDO daqui é nada perto do que tem Lá. Não perca seu lugar no Lá, no Lar, na casa feita de outro que está reservada aos que pensaram mais no Lá do que no aqui.
Há tanto para se viver, mas depois que você morrer, toda essa correria só vai ter valido a pena, se você tiver corrido para o lugar devido.
Corra, voe, bem alto... Mas no caminho certo. É no silêncio que você escuta Àquele que te dá os conselhos certos.
Corra, viva, conquiste, surpreenda, invente e reinvente-se, só não perca a sensibilidade ao Amor e a humildade de voltar atras em suas escolhas mal feitas.


sábado, 3 de agosto de 2013

Fazendo Rapadura

Não, não vou ensinar uma receita de doce. Vou ensinar uma receita de vida!
Em uma tarde cinzenta, de um inferno frio, no sul do sul da América do Sul, a vida é calma e tranquila em alguns dias como este. Família reunida em volta da lareira e uma simples vontade de comer doce, foram o cenário perfeito para desbravar mais um pouco desse mundo apaixonante que é nosso e não percebemos, pois tempos medo dele.
Coloquei açúcar demais na panela, mesmo minha mãe falando pra não fazer isso. Eis a grande falha! Não escutar quem sabe mais do que nós, seja por distração ou por desobediência pura. Aprenda a ouvir os outros, para evitar perder tempo, para evitar ter mais trabalho do que o necessário, para evitar se machucar em vão - só por teimosia.
Eu fiquei lá mexendo naquela panela por longos minutos e nada... mais um pouco e nada... nada...
- Ô mãe, acho que fiz algo errado!
Enquanto fui chamar para ver o que tinha feito (como se não soubesse), segundo desastre. Não sei explicar o que foi, mas estava tudo tão duro e grudado na panela que estava mais pra cimento do que para rapadura. 
Enfim, vou seguir as instruções. Tirei um pouco do açúcar, coloquei mais água. Ainda estava estranho... começou a derreter. Agora é hora do amendoim. Mexendo mais um pouco. Começou a melhorar. Mexer mais. Logo aquela coisa estranha, ficou bonita, uniforme, com cheirinho bom...
E enquanto esse processo tão simples ocorria, minha mente voava e filosofava sobre tentativa-erro.
Alguns cientistas afirmam que aprendemos por insigth, outros dizem que é por experiência, tantas outras teorias que nem vou citar... 
Sempre preferi aprender por insigth, parece mais inteligente, do tipo: "sou geneticamente programada para ser uma pessoa esperta", confesso que em muitas situações fui assim.
Contudo, ultimamente, tenho vivido o "processo rapadura" com frequência. Erros e mais erros, muito açúcar, pouca água, fogo alto, fogo baixo, queimo a mão, canso o braço e continuo tentando e tentado de novo. 
Para alguém que sempre viu o erro com toneladas de preconceito, é bastante torturante ter que descer do palco de orgulho e vaidade para humildemente aprender com os erros e com suas consequências.
Porém ver a receita dando certo hoje, me fez pensar no quanto é valioso o processo todo. É, esse processo de transformação ao qual vivo tentando me sujeitar. Já desisti de mudar o mundo, mas não quero desistir de me mudar. Só fui me dar conta disso, depois de inúmeras vezes fracassar e sofrer pelos fracassos. Agora, percebo que assim como uma receita que não dá certo e me obriga a refazê-la, cada novo amanhecer é uma tentativa de receita. Em um dia refazendo a que errou, no outro tentando uma nova.
Sempre fui pressionada com a ideia de que repetir o mesmo erro é burrice. A pouco aprendi que as nossas maiores transformações acontecem nas guerras que tivemos que lutar mais de uma vez.
Procuro erros novos e vejo que eles são ainda mais dolorosos do que repetir os antigos.
E assim segue o processo de me transformar em quem eu sou. De descobrir quem eu sou, e ser de proposito...
E sobre a receita de vida? Sugiro ouvir melhor aos que sabem mais e ter humildade para se permitir aprender com aqueles que não são tão inteligentes como você. Há tesouros preciosos nas pessoas simples. E ainda mais nas mães... 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Tornei-me homem no momento em que senti-me um menino

Tornei-me homem no exato momento em que me senti um menino. 
Nesse instante. 
Nessa noite de um céu azul escuro manchado pelo cinza das nuvens. 
Brisa fria. Vento acariciando meu rosto. Tornei-me finalmente homem. 
Não é agradável crescer. Não é nada vitorioso sentir o peso da responsabilidade em saber que seus pés já trilham sozinhos, sem o profundo aconchego de alguém o segurando pelos braços ensinando-o a andar. Mas é preciso. 
Assim como um dia todos estarão face a face com a consolável “morte”, todos também estarão um dia face a face com a sarcástica ”vida”. Senti-me completamente sozinho quando encontrei os braços abertos da “vida”. Somente alguns segundos atrás. 
Sendo que a mesma já acompanhava-me silenciosamente e medrosa demais para se revelar. 
Porém algo me diz que estarei ”acompanhado” quando encontrar a (temida pela maioria) morte. E será de uma maneira direta, sem “esconderijos”. Não condiz com sua personalidade esconder-se. 
Fulgurante, instigante e totalmente contrastante não acham? O que parece ser não é. 
A morte parece ser a última a querer ser vista por todos, porém ela é a única que não irá lhe virar as costas ou demorará a aparecer. A vida foi completamente sarcástica comigo. Perdi uma das maiores alegrias de meu ser. Uma das maiores razões de não sentir-me sozinho. Porém ela tirou-me. A vida tirou-me. 
E quem estava lá para me consolar? A morte. A mesma que tira a paz dos que ficam é a mesma que dá descanso aos que ceifa. 
Vou confessar algo que poucos o sabem. 
Procurei-a e quase a encontrei com meus seis anos de idade. A busquei sem saber. Tentei encontrá-la instigado por uma vontade de companhia. Porém ela nem quis se mostrar, simplesmente acotovelou a “vida” e pediu para alertar alguém cortar a corda. 
Um outro encontro foi aos 18 anos. Esse foi um encontro um tanto diferente do primeiro. 
E creio que até algumas palavras foram trocadas em algum lugar e linguagem fora do estado chronus. Ela sussurrou baixinho. Inaudível, incompreensível ao encontrar o lobo temporal e irreconhecível para a área de Wernick.

–Não puxe esse gatilho. Não posso te abraçar agora. Nosso encontro não pode ser aqui em meio a essas árvores, em meio a essa escuridão. Nosso encontro acontecerá, mas será de uma forma mais poética. Mais condizente com a maneira que você irá tratar a vida. Trate-a bem e seu encontro comigo será bom. Somos irmãs. Cuide dela e o recompensarei.
Hoje posso compreender. Não sei qual foi o lugar que desloquei-me nesses poucos segundos de “instantes”. Porém compreendi, traduzi a linguagem na qual a “morte” bafejou suas palavras aos meus ouvidos. Entendi o segredo. 
Para merecer um encontro digno com a consolável "morte", precisarei ter um bom relacionamento com sua sarcástica irmã , a "vida". 

Incrível. Inacreditável. Impressionante. 
O equilíbrio é visível. O trabalho de ”tudo” e “todos” nesse universo é perfeito, incompreensível e infinitamente livre de parecer com o que se apresenta. 
E mais delicioso ainda, é perceber essas doses intensas de mistério. 
Parecem ter o gosto de céu, de sol, de mar. Um gosto bom. Um gosto de “sabedoria”. 
Ah, se todos pudessem sentir essa sensação de prazer na qual sinto meu ser biológico intensificar. Se todos pudessem sentir seus “estados psíquicos” adentrar os portões do reino metafísico. Seria tão profundo poder trocar ou compartilhar essas experiências. 
Esses despertares através de fazeres tão simples.

Uma simples leitura de um livro chamado A menina que roubava livros deixou-me assim. Liesel Meminger, a roubadora de livros, a sacudidora de palavras, Rudy Steiner, o Jesse Owens, cabelo da cor de limões, Hans Hubermann, o acordeonista, olhos feitos de prata e bondade, Rosa Hubermann, a mulher dona das palavras “saumensch”, “saurkel” e todos seus derivados, porém dona de um coração incontestável, Max Vandenbrug, o lutador judeu, o homem de gravetos no cabelo, e assim por diante. Ficaria um bom tempo, tomando seu tempo se pudesse citar todos belíssimos e inspiradores personagens. Leiam. 
Aconselho ler e se descobrirem realmente homens e mulheres. Ou talvez não...

Talvez...
Talvez a “vida” e “morte” deram essa oportunidade a alguns poucos ao qual me incluo.

Não é um comentário prepotente ok? 
Ao contrário. 
É reconhecendo de que coisas simples e desprezadas por muitos servem para mim. Contento-me com o pouco e o simples. Nada de complexidades. Admiro quem precisa dessas complexidades para chegar a conclusões. 
Porém, infelizmente ou felizmente não preciso. Espero que tenha sido claro e ao mesmo tempo não tenha assustado ninguém de minhas relações interpessoais fraternas, com essas declarações um tanto incomuns.

Termino com uma frase maravilhosa de nossa consolável e futura amante “morte”:  

Os seres humanos me assombram.

J.Gonçalves, 30 de Julho de 2013, (Descobri-me homem ao sentir-me menino)

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aprendendo a ser "Humano" - Normose

Não recordo-me em que momento de minha vida aprendi a ser "humano". Sobreveio essa dúvida quando a momentos atrás lia sobre analfabetos emocionais, ignorantes de alma, etc...
Vocês percebem o quanto distantes nos encontramos de sabermos que temos uma "alma"? É um assunto que precisa de pesquisas, porém vamos discutí-lo um pouco, de uma maneira rasa e simples.
Vivemos envolvidos por fobias, medos, crises internas, busca desenfreada por "algo", ansiedades em proporções patológicas intensas, sensações de pânico, entre outras milhares de perturbações pessoais. Perturbações geradas pela "Sociedade Normótica". Essa frase de Jiddu Krishnamurti traduz de uma forma simples e profundo e real significado do que quero dizer.

“Ser ajustado a uma sociedade profundamente doente não é sinal de saúde”.

"Não seja um normótico", uma grande amiga usou essas palavras para definir o quanto somos inseridos em um mundo que nem sequer conhecemos. É silenciosa como uma serpente, uma patologia inebriante e envolvente, gerando hipnoses coletivas a níveis astronômicos, inserindo-se no seu inconsciente desde cedo, desde sua tenra idade. Uma verdadeira fonte de sofrimentos e de tragédias.
Assustador não acham? Bom, isso é a chamada "normose".
Eu sou normótico! Vocês são normóticos! Todos somos!
Você não sabia disso não é? Não se conhece o suficiente para saber isso?
Bom, eu também "não conhecia". Normose é aquele rígido conjunto de normas, conceitos, "valores",  maneiras de agir, padrões pré-estabelecidos ou aprovados por um consenso ou pela maioria inserida na sociedade. Muitas vezes não importando-se com as condições psíquicas e subjetivas das pessoas.
Na verdade isso não passa de condenações aleatórias, sendo que seus autores não fazem a idéia daquilo que fazem, já que é quase, se não em um todo, a chamada coletividade inconsciente.
É um assunto vastíssimo e que com certeza irá gerar muitas novas sinapses na mente de quem aceitar ter a paciência de entender sua profundidade.

Conforme comentei no início do texto, o que quero dizer com "aprender a ser "humano" é justamente no sentido de que não existe, em lugar algum, e em nenhuma de nossas instituições sociais (igrejas, escolas, creches, Universidades, etc...) uma "abordagem" específica para desenvolvermos nossa psiquê.
Há uma necessidade "titanizada" de um desenvolvimento emocional em nossas crianças, justamente para que elas não se tornem o que nos tornamos, ou que não sintam a dificuldade de mudar como nós sentimos ao descobrir a "verdade" acerca do mundo e das simplicidades vida.
Nossas crianças e jovens precisam aprender sobre seus sentimentos, emoções, relacionamentos, exercitar suas sensibilidades emocionais.
Infelizmente, nossa educação se resume em fazê-los engolir uma série de informações e ensinos que são "testados" através de exames do estilo "decoreba".
E isso tudo faz o quê? Faz com que sejamos o que somos - protótipos (padrões).
Quarta-feira passada estive envolvido com duas mentes sábias em um assunto que durou mais ou menos 4 horas. Em certo momento uma delas falou: - Você é um milagre, uma explosão de vida única. Quando você nasceu foi um momento único no mundo, e quando você "morrer" também. 
Todos são milagres, todos são únicos!!
Falta aprendermos que nossas crianças são únicas, que essa comparação prejudica suas subjetividades, impondo-as a viverem conforme ditam as "regras", mais alguns "seres" sendo criado em laboratórios.
É hora de nos conscientizarmos e aprendermos a ser "humanos".
É um assunto tão intenso e ao mesmo tempo confuso. Seriam gastos boas horas de conversas e discussões para podermos chegar a um consenso positivo, para que alguns aceitem essa "nova tese".
Maluquice? Talvez, porém é uma maluquisse saudável e com preceitos bons.
Precisamos re-aprender sobre como viver corretamente.
Quando você estiver se sentindo totalmente infeliz e insatisfeito com o mundo, olhe para "dentro de si", a causa está ali. Quando você estiver nas nuvens, em um estado metafísico de alegria e prazer, olhe para "dentro de si", a causa também está ali.
O "ser" é o mesmo, tanto para as positividades e as negatividades.

Percebem o quando dualistas somos? O quanto confusos somos? Isso por quê somos "normóticos".
E até quando aceitaremos isso?
Encerro com uma frase, deixando para todos uma fagulha de esperança na mente e no coração:

"Se todas suas escolhas não tem dado certo, dê espaço para que a metanóia aconteça, quem deseja melhorar, aceita sempre mudar."

J. Gonçalves, 19 de Julho de 2013, B. Camboriú.



terça-feira, 16 de julho de 2013

Voaram as páginas do calendário...

E hoje o dr. Júlio completa seus 24 invernos, muito bem vividos por sinal.
Estou aqui para finalmente dar os parabéns, que venho planejando desde que você se tornou especial na minha vida.
Sempre gostei de aniversários, pois são a oportunidade perfeita de se falar todas aquelas palavras bonitas que geralmente engolimos a vida inteira e no final acabam indo para o memorial, epitáfio e biografias póstumas. Não quero ter palavras não ditas nesses momentos. Quero a cada ano poder falar do quanto fui marcada pelas "pessoas que brilham" e poder sorrir junto, sabe?
Junto, é uma palavra que a nós pouco cabe devido a distância, contudo, realíssima, devido ao sentimento. Já que estar perto não é físico, comemoramos a conexão mental que um dia nos uniu.
Por você ser tão especial na minha vida, te parabenizo.
Primeiramente, Parabéns por existir. Ter nascido já te faz merecedor de toda a felicidade disponível nesse mundo... e nos outros também.
Parabéns, por a cada dia que passa, saber conquistar essa tal felicidade e por ter ensinado não só a mim, como a várias outras pessoas como viver a felicidade das coisas simples. Isso é lindo!
Parabéns por ser tão forte e tão corajoso, por vencer tantas guerras e desenvolver essa resiliência que tanto admiro em você!
Parabéns por cada estrada trilhada, por cada árvore no meio do caminho que você passou por cima!
Parabéns por saber amar e perdoar, isso é raro...
Parabéns por ter escolhido a profissão mais linda que há e por que ainda terei muitos parabéns para te dar ao longo da vida, vejo em sua frente um caminho de muitas conquistas.
Parabéns por ser essa pessoa tão fantástica, e por ser assim sendo tão simples.
Seja mais e mais feliz a cada semana... Não perca esse brilho ao longo dos meses... Por que quero comemorar com você a cada ano, celebrar a vida, que é tão linda e poucos conseguem vê-la assim.
Mostre para o mundo todo o Mestre da Sensibilidade em cada forma artística que for expressar sua alma.
Ilumine pessoas com o brilho do Mestre do Amor que está em seus olhos.
Que a sabedoria do Mestre dos Mestres seja tua amiga e companheira de todos os dias...
Viva e viva e viva um pouco mais... que cada dia vivido te traga a alegria das novas descobertas de um menino e a experiência de um homem.
Não perde a essência, a identidade, a fé, a força, o foco, a garra, a positividade. Você é o herói de alguém que talvez nem imagine.

E pra finalizar... Feliz Aniversário Dr. Julinho!! Mesmo você sendo um chato, insuportável e agora sem tempo pra longas conversas, continuo te amando.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Memórias, sonhos e reflexões com uma pausa para "Os Miseráveis"

Memórias, sonhos e reflexões - Carl Gustav Jung.
Fazia algum tempo que nenhuma leitura mexia comigo de forma tão profunda.
Confuso? Sim, bastante. É necessário crer nos "algos" sobrenaturais da vida para encontrar uma pequena abertura para compreendê-lo. Instigante e misterioso.
Uma autobiografia totalmente diferente de todas que li, pois ela não fala necessáriamente do "escritor" e sim com o leitor. Uma busca pela totalidade tanto existencial quanto psíquica, a compreensão de uma realidade mais elevada, um mundo metafísico, um confronto com sua duplicidade e um encontro com seu self.
A impressão que obtive foi o de um despertamento acerca do "ser" e "estar", e da comprovação de que mais alguém conheceu o "algo elevado" da vida em um todo.
A vontade foi de lançar fora o persona, deixar as tendências emocionais de meu anima "sentir" desenfreadamente, conversar e rever histórias com meu inconsciente pessoal, sentir a gravidade "zero" elevar meu ser aos espaços obscuros da existência humana. Uma leitura que com certeza irá manter seus efeitos por alguns dias, e até mesmo gostaria que fosse arquivada no inconsciente.

Um outro momento desse final de semana que atingiu níveis de "energias" elevadíssimas foi assistir "Os Miseráveis". Um enredo magnífico, um musical inesquecível baseado na obra de Victor Hugo - lançado em 1862, com um elenco de tirar o fôlego: Anne Hathaway, Hugh Jackman, Amanda Seyfried, Eddie Redmayne e Russell Crowe.
Atuações impecáveis e de deixar lágrimas nos olhos (Daniel Huttlestone, no papel do pequeno Gavroch, menino que deixou todos no ápice de suas emoções e com vergonha de não ter 1% por cento de sua atitude diante a própria "vida").
A performance de Anne Hathaway é de tirar o fôlego! Sua beleza mesmo com "cabelos curtos" é divina (houve uma cena que seu cabelo foi cortado com uma faca), sua graciosidade, sua exteriorização emocional, totalmente divino.
Na plenitude da Revolução Francesa, em meios a Batalha de Waterloo e os motins de junho de 1832. Jean Valjean, um condenado a 19 anos de prisão e trabalhos forçados ganha liberdade condicinal, muda sua vida, encontra-se com Deus, porém em um específico momento passa a ser perseguido pelo Inspetor Javert. Jean Valjean se vê em débito (muito longo para detelhar) com Fantine e tira Cosette das mãos de Monsieur e Mademoiselle Thénardie. O empenho dos jovens estudantes em defesa de uma causa nobre de justiça e esperança para um povo sofrido. São tantos momentos, são tantos detalhes. É incrível a intensidade na qual senti minhas emoções sinalizarem tanto. O final foi surpreendente, fico sem fôlego só em lembrar.
Mensagens incríveis como essa, que era dita em coro pelos jovens em meio as "chamas" da vontade de uma mudança: "Há uma chama que nunca morre, a noite se encerrará e o sol despontará", ou essa, cantada por Cossete no ápice de um sentimento de amor por Marius: "Amar outra pessoa é como ver a face de Deus". Tenho viva em minha memória auditiva as harmônicas e os baixos da canção inicial:
 "Look down, look down, and see the beggars at your feetLook down and show some mercy if you can"

Amo quando alcanço esses níveis de satisfações pessoais e emocionais através de tão pequenos recursos. Normalmente são gastos algumas horas nessa belíssima empreitada por conhecimento. E quase sempre é necessário que haja mais pessoas envolvidas, um ambiente confortável, muitos livros, muita pesquisa, pitadas de melancolia, etc...
Mais um final de semana interessante. Reunião com amigos, música na beira do mar, novas identidades na qual se fazem conhecidas, projetos, filosofias, psicologias, essas coisas todas que amo e não saberia viver se não as tivesse. Mais um módulo iniciando, uma semana novinha em folha para ser vivida e ser agradecido a Deus pela mesma. Isso é viver, ser feliz com o que temos, com o que podemos e como podemos. Simplicidades complexas de uma mente desperta, emoções na qual a razão não têm idéia de como pará-la. Um belo dia Mentes Criativas!! Sejam amantes de si próprio, as vezes isso é importante! Assistam musicais, leiam livros, permitam-se conversar com suas emoções, com seu eu. com seu self.

J. Gonçalves, 15 de Julho de 2013, Balneário Camboriú, (Adentrando os portões do mundo metafísico)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Poesia sem nome

É tanta coisa linda nesse mundo,
tanta arte, tanta poesia, tanta música boa
fotos e passos de dança...
isso sim encanta!
isso sim encanta!
E você aí perdido, no seu mundinho
preto e branco, raramente uns tons de cinza
mas faz tempo que nada consegue colorir sua retina
Veja as flores, sinta a brisa
O sol se põem todos os dias, e as ondas que beijam a areia
também estão lá, pra te encantar... pra te encantar

Então acorda ser humano, você foi feito pra ser feliz
Os robôs deveriam sentir inveja da sua sensibilidade
e não você sentir orgulho da sua intelectualidade.
Há tanto pra se ver, tudo pra se viver
reinos escondidos pra você descobrir
e você ocupado de mais para simplesmente se dar o direito de rir.