quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Chuva, Destino, Alma



Entre cochilos, percebo o barulho da chuva misturando-se ao do som do piano de uma música que enche o ambiente de meu quarto. Uma mania antiga de deixar alguma música tocando ao estar dormindo. Bom, isso inspirou-me. O prazer de escrever me convida a deixar minha cama, lavar o rosto para acordar, e pegar caneta, papéis e disposição as 3 da madrugada.
Pronto, devidamente acordado. Vamos lá então. Transformar a inspiração em letras.
Daqui escuto o som dos carros cruzando a avenida que passa em frente ao apartamento. Rodas cruzando o asfalto molhado. Uma ou outra pessoa andando pelas calçadas. Encolhidas. Protegendo-se debaixo de seus guarda-chuvas. Pergunto-me: O que fazem na rua essa hora?
Em um ritmado compasso ouço as gotas baterem na calha. Magnífico ver o abstrato dos desenhos da chuva, que se formam no vidro da janela. Em um poste, o reflexo da luz descortina as gotas frenéticas cruzarem o espaço. Essa luz amarela e opaca revela a corrida sequencial da chuva para seu destino. Dos braços de sua mãe Nuvem, elas se jogam ao encontro do cumprimento de seu propósito. A terra. Longa caminhada não acham?
Cada gota com seu objetivo. Chegar a terra. Molhar os campos. Alimentar as plantas. Alimentar os alimentos que estão a brotar. Dar vida a beleza das flores. Saciar a sede dos homens e dos animais. Satisfazer a necessidade dos seres viventes. Água pura saindo de seu lar. Vinda de um ciclo que duram a milênios. Justamente para cumprirem seu destino. Chegar a terra. E com grande êxito assim o fazem! O reflexo da luz do poste é sua testemunha do cumprimento da missão. Eu sou testemunha de seu êxito. Nesse instante, três e pouco da manhã. Eu sou testemunha.
E nós? Qual é nosso destino? Qual nossa missão?
Nesses meus últimos anos, percebi que nasci para viver para o próximo. A profissão que escolhi já fala por mim. Psicologia. A porção de fé cristã que existe em meu coração também diz isso.
Todos nós nascemos para estar com vários “alguém”. Assim como a chuva, todos nasceram também para “molhar” alguém (não literalmente ok?). Estar presente na necessidade de alguma alma humana.
Até as pessoas mais mesquinhas e arrogantes. Aquelas que só pensam em seu bem estar. Aquelas que só pensam em ganhar e nunca perder. Até elas nasceram para “molhar” a vida de no mínimo a de seus próprios filhos. Pelo menos eu ainda creio que esses tipos de pessoas não chegaram a ignorância de ignorarem seus próprios filhos não é.
Não nascemos para sermos sozinhos. Não teria um sentido lógico na criação para estarmos sozinhos no mundo. Na verdade, não teria motivo para o universo existir. Passam tantas pessoas em nossa estrada. E cada uma delas, são bons receptores de nossa garoa de conhecimento. De nossa garoa de experiências. De nossa chuva de amizade, carinho e consideração. Somos seres humanos não é gente? Então na hora de dispensar sentimento, tem que ser chuva mesmo. Chuva intensa e cheia de vontade.
Carl Jung disse: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas. Mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Intenso hem?
 Nada de deixar de ser uma gota de chuva como as outras. Nada de deixar de ser o que você é. Somente almas tocam em almas. Estamos pisando a planta de nosso pé nessa terra com alguns objetivos a serem cumpridos. E o principal deles é estar andando juntos com "outros pés". Dando vida. Molhando aqueles que são somente plantas e terra. Já que temos duas boas pernas, dois bons pés, e ombros fortes, por que não emprestá-los aos mancos, cegos, aleijados, e até mesmo os sãos que não aprenderam a caminhar devidamente? Por que não? Por que não ser uma boa e frutífera chuva na vida de alguém?
Nosso destino? Bom, sei lá. Ainda estou caminhando rumo ao meu. Dia após dia ele acontece. Talvez algumas etapas já tenham sido cumpridas, outras não. Mas tenho certeza que nosso “próximo” é parte de nosso destino. Assim como as gotas das chuvas. Frenéticas uma atrás da outra. Todas juntas. Produzindo vida. Fiel em sua missão. Unidas. Massificadas. Nós também. Não nascemos para nós. Nascemos para estar com outras gotas, e para molhar outros “alguém”. Nascemos para andar juntos com as outras almas nessa belíssima vida. Nessa belíssima chuva!! Boa noite!!
Júlio Gonçalves, 05 de Fevereiro de 2013

Esperar? Não por favor!

Chega em determinado momento da vida, que as interrogações se tornam intensas. Tornam-se emoções agonizantes dentro da alma. Por que tudo existe? Há vida, há morte, porém, e o intermédio? O que precisa ser feito? Devemos somente ser modelos do nosso passado? Qual a razão? Tudo é simples e ao mesmo tempo complexo. Um misto de ambas as polaridades. Uma essencializando a outra. Completando e gerando tudo isso – A VIDA-.
Se pararmos para falar dos porque’s , estaríamos condenados ao aprisionamento da existência. Estaríamos nos acorrentando aos grilhões pesados do desespero. Portanto não vale a pena requerer, perguntar e entender. Somente viver, aceitar e esperar! Entre tantos galhos literários que poderiam ser abordados, há somente um que atormenta e apavora minha psiquê. A ESPERA. O fato de sobreviver a essa pequena ação me constrange e não me deixa confortável.
O sol irradia sua beleza. A areia deixa que pés a marquem. As ondas procuram seu espaço na porção da terra. Os sons das águas transformam-se em sinfonias. A harmonia inspira e fazem os poetas surgirem. Muitas pessoas, muitas identidades. Muita vivacidade ao redor. Estou sentado, tendo em mãos o papel e a caneta. Por sobre as lentes oculares, contemplo todos ao meu redor. Vejo a imensidão do mar. Vejo a linha do horizonte fundir-se ao céu azul. Parece uma só coisa, separadas por um fio. Mar e céu parecem um só! Sinto o frescor das águas. Sinto a vida em cada ser que cruza por mim. Emociono-me em ser. Em estar. Em viver! Elos de amor sendo ligados. Amizades cada vez mais vinculadas a base do carinho e consideração. Diante das interrogações, minha alma se acalma nos deslumbres sentidos nesse instante.
Mas...
Mas ao interior dessas emoções. Nos porões da alma. Na escuridão algo se mexe. A impaciência de sentir a ESPERA. Somos dominados pelo tempo. Chronus torna-se o imperador dos povos. As coisas somente acontecem no tempo em que o “tempo” quer. E o pior de todas as escravidões é a espera. Vivemos esperando. Vivemos presos a espera de algo. Somos condenados a esperar. Vivemos esperando nossa história acontecer. Esperamos as pessoas. Esperamos a alegria. O sucesso. O amor. Esperamos, esperamos, esperamos...
Somos fadados a viver abraçados a senhorita Espera. Nossa dominadora. Por vezes amiga. Porém, a qualquer momento pode tornar-se inimiga. Machuca. Cura. Dá Beijos. Desfere tapas. Esse é o tormento da vida. Esperar com que a espera acabe, e tudo termine bem.
Minha personalidade impregnada com fortes doses de hiperatividade, não aprendeu a esperar. Faltei algumas aulinhas na disciplina de paciência. Porém hoje descobri que a vida é isso. Esperar também é viver. Esperar faz parte da história de nossa vida. Onde estaria a graça de tudo estar em seu devido lugar, pronto e conquistado. Esse é o lindo da vida. Viver. Esperar. 
Fazer acontecer, esperar mais um pouco, conquistar, esperar de novo, amar, e esperar mais uma vez! Esperar, esperar, esperar.
Mas que é uma chatice, aaaahhh, com certeza  é!!!
Júlio Gonçalves, 05 de Fevereiro de 2013

Sobre os suspiros

Lendo o texto anterior me perdi entre os suspiros. 
Diante que cada motivo para suspirar, uma lembrança... e meus suspiros diários se redobraram. 
Seres humanos são dotados de emoções e peço perdão pela intensidade dos meus sentimentos, mas o que seria da vida sem o colorido da alma frente ao cinza do mundo? 
Me perguntei o por que de um texto como esse, assim como tantos outros, possuírem a capacidade de abrir janelas mentais e portas do coração para um mundo enterrado nos escombros do cotidiano.
Quem nunca sentiu o profundo toque das palavras no mais intimo do seu ser, quem nunca se arrepiou com notas musicais ou jamais sentiu os olhos encherem de lágrimas diante uma imagem denominada comum aos demais seres humanos. 
Seres humanos... 
Hoje me perguntaram o que me preocupa. Respondi: os seres humanos!
Ou os seres não tão humanos assim. Sabe do que eu estou falando? Digo, essas pessoas robóticas, programadas para funcionar como os demais. Acordam, levantam, trabalham, comem, assistem TV, são manipuladas pela mídia, algumas viciadas em internet, outras em drogas piores! 
Acham que arte é perda de tempo, espiritualidade sinal de fraqueza, psicologia coisa para loucos. 
Fico me perguntando o que essas pessoas sentem... vivem suas vidinhas medíocres sem encanto, sem brilho.  Não suspiram. Como conseguem? De que material são feitos? Shakespeare falou que somos do tecido de nossos sonhos. 
Mas e quem não sonha? É feito de que? 
Pessoas vazias me preocupam. Pessoas que pensam ser melhores e maiores, pessoas com coração de pedra e com a mente cheia de cadeados. 
Isso me faz suspirar de preocupação. Como podem existir seres humanos tão frios e tão distantes das emoções que são o combustível dos amantes da vida?
Suspiro de preocupação pensando que tem gente que não pensa, que não lê livros, que não cumpre suas promessas, que não sabe o que é amor. 
Suspiro de preocupação por achar que o mundo está perdido e por medo de me perder nesse mundo de robozinhos programados...
E no presente momento, acabei de suspirar por perceber que me preocupo demais. 
Suspirei e sorri, pois ainda não tendo soluções pra tudo isso e ainda que não conseguindo entender, nem responder essas perguntas todas, experimentei o alívio de um bom desabafo textual.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Você já suspirou hoje?

Você já suspirou hoje?
Estranha pergunta não acham? Porém algo interessante pode ser abordado diante da tão simples palavra SUSPIRO.
Houve algum momento do meu dia de hoje que utilizei um suspiro para expressar meu cansaço diante de tantos papéis, documentos e trabalhos a serem examinados. Isso lembrou-me de um relato do autor Max Lucado sobre o “suspiro”.
No mesmo momento fui tomado por um belo insight para escrever mais essa reflexão. Em vários momentos de minha vida suspirei de alegria por algo conquistado.
Suspirei de alegria por ter visto ou tido algum sentimento feliz. Suspiro seguidamente de saudade pelas pessoas que já se foram, pessoas que saíram de minha vida de forma brusca. Também suspirei de paixão, muitas vezes pelos amores que já vivi, suspiros de carinho e amor, por estar perto daquela que me fazia bem. Quem nunca suspirou por isso?
Suspirei por ter concluído com êxito alguma tarefa imposta, suspirei por ter sido capaz de fazer aquilo que foi desferido para a execução de minhas mãos. Suspirei de tristeza e desânimo muitas vezes por não ter realizado no futuro aquilo que planejei no presente. Suspirei chorando nos momentos difíceis e “intransponíveis” (aos olhos humanos), em minha vida. Suspirei na expectativa de sonhos realizados, na conquista de algo que estava a caminho.
São tantos suspiros. E por trás de cada um deles há suas consequências e histórias.
Mas hoje descobri outro suspiro, um suspiro doloroso e que machuca a psiquê daquele que o desfere. O suspiro da frustração.
Um suspiro que permanece escondido entre a ira e a um romper de lágrimas. Até pouco tempo eu não sabia como nomear os suspiros de minhas ansiedades e aqueles dos momentos que absorvo os problemas externos de muitas pessoas.
Sempre suspiro quando algum mendigo pede-me uma moeda. Suspirei quando aquele amigo chegado falou-me que seu casamento não estava indo as mil maravilhas. Suspirei quando meus amigos, aqueles que são mais chegados que irmãos, ligaram-me e disseram que sua esposa o havia abandonado. Suspirei quando ouvi sobre aquele cidadão conhecido que estuprou a própria filha. Suspirei em ver os maus tratos em asilos de idosos. Suspirei quando ouvi de uma amiga, a tentativa de assassinato do marido contra a esposa, quando a mesma tinha poucos anos de vida e presenciou a situação. Suspiro quando vejo os olhos brilhando, o coração acelerado e os movimentos involuntários do jovem viciado em cocaína. Suspiro em ver os caminhantes de ruas, sem destino, com os pés descalços, sujos e em busca do nada. Suspiro em ver a injustiça daqueles que possuem bens e acham que podem ignorar alguém que não possuem o tanto deles. Suspiro em ver os milhares de roubos encobertos pelo nosso governo, enquanto aquela mãe trabalha diariamente, e mal consegue alimentar os filhos, e dar uma vida digna aos mesmos. Suspiro quando olho a vida se desfazendo nas mãos dos homens. Suspirei quando ouvi a notícia dos 252 jovens mortos, pela negligencia dos donos da boate que pegou fogo, por estar fora das condições devidas.
E dói. Dói muito dar esse suspiro de frustração, esse suspiro de falta de capacidade de minha parte. Está tudo errado, está tudo invertido. O homem não nasceu para viver dessa maneira, carregando essas calamidades e sombras presos ao seu “Eu”.
Fomos gerados das entranhas do Divino. Teve um dia que já vivemos no belíssimo jardim do Éden, junto ao autor do Universo. E foi só nos afastarmos dEle, que tudo virou de cabeça para baixo. Todos esses suspiros de frustração são de uma esperança adiada. Adiada ao ponto de sempre esperarmos que algo mude.
E pergunto a você: Algo irá mudar? Quando cessarei de suspirar as frustrações de minha alma diante daquilo que o mundo me apresenta? Conformo-me, ou aceito a proposta de continuar tentando ser diferente? Sigo amando o ser humano, ou desisto e torno-me mais um egoísta?
Assim como Cristo suspirou diante da surdez e a gagueira de um homem nas terras de Tiro, decido suspirar também. Parece que posso ver o pensamento de Cristo diante daquele homem: ”Seus ouvidos não foram criados para não ouvir, sua língua não foi feita para tropeçar”. O mesmo desequilíbrio na vida que entristeceu o Mestre, também me entristece.
E a você? Também entristece? Creio que Jesus ainda suspira diante da cena presente que a humanidade oferece. Porém, esse gemido me acalma, pois Ele geme pelo seu povo, e espera ardentemente o dia em que poderá cessar o gemido dos suspiros. Onde a vida, há esperança, e é nela e nEle que minhas mãos seguram firmemente. Rumo ao sonho de que um dia os suspiros de frustração de nossa alma cessem.
J. Gonçalves, 31 de Janeiro de 2012, (madrugada pensativa e sem sono algum!)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Aprendemos

Eles escrevendo sobre suas crises existenciais, enquanto eu me condiciono a não mais aceita-las. Pelo menos por enquanto. Estou naquela fase de lutar contra minha doença para poder uma hora dessas abraçar alguém com braços curados e coração forte. Eles precisam de mim e não cansam de me falar isso pelas entrelinhas de suas frases feitas, que de tão clichê me causam náuseas. Supero o enjoo e percebo que seus sorrisos plásticos não passam de um sutil disfarce pronto a ser desfeito em poucos segundos de um olhar profundo e um rapport intenso. Eu e essa minha tola mania de querer cuidar do mundo e supri-los em amor já que transbordo do mesmo, recebendo-o em doses diárias de medidas enormes fluindo do Alto direto ao íntimo de meu ser. Privilegiada sou. Recebo mimos que princesas desconhecem... Só queria poder compartilhar, dividir, aconchegar no colo quem faminto pelo que tenho de sobra implora-me silenciosamente. Mas aprendi que há tempo. Momento certo para cada situação. E eu? continuarei sendo constantemente curada dos buracos deixados pelos que vieram e foram, levando uma pequena porção da minha força propulsora de novos inícios.


#Caderno de Capa Preta - Jamie Carter - Kaasevile

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ansiedade: Prisão existencial

“Não se preocupe com aquilo que você não pode resolver”
Essa é a única frase que me acalma diante das minhas crises de ansiedade. Normalmente não costumo deixar ou fazer transparecer meus momentos de crises internas. É uma luta que travo sozinho e não permito que nenhuma solução externa seja participante. Portanto elas se tornam como muros fortes e intransponíveis para a paz e calma. Tenho dificuldade em não absorver energias negativas. As vezes é através de problemas particulares de amigos, através de notícias da TV, crises anunciadas pela mídia, situações inexplicáveis e inaceitáveis aos meus olhos. Tudo isso vem sobre minha consciência, e é absorvida pela mesma como se fosse uma esponja. Tudo isso conectada com meus problemas pessoais, deixam-me tomado por ansiedades absurdas e profundas. Sinto minha pulsação extrapolar a normalidade, minha cabeça voa pelos cantos da existência, meus olhos não repousam, querem de qualquer maneira ficar em alerta como se não estivesse sujeito ao descanso merecido. Já passei por sensações emocionais tão fortes e intensas, porém sentir essa ansiedade me cansa, deixa-me estafado, como se estivesse trabalhado duramente em esforços físicos.
Diante dessas crises, os ensinamentos marcantes de minha vida se deslocam ao meu consciente para ajudá-lo. Como soldados progredindo em um campo de batalha para salvar algum amigo que foi feito de refém. Frases que li ou ouvi, surgem como ajudadoras. Jamais pedi em minhas preces e orações para que meus problemas diminuíssem ou acabassem, e sim para que cada vez o meu “eu” seja fortalecido para carregar as dores. Essas frases são minha força, o papel, a caneta e minha inspiração são meu refúgio, minha fé é meu consolo, Jesus é minha fortaleza. Diante dessas simples atitudes meu coração acalma, diante da escolha que faço de emocionalizar a razão, minha ansiedade começa a diminuir. O fato de lembrar que não devo me preocupar com o que não posso resolver faz com que esse muro alto caia e em meu ser inunda de paz. Minhas preocupações são com aqueles que restaram de minha família, de situações que ainda estão por vir. Minha ansiedade é por aquilo que na minha insignificância não posso resolver. Poxa, sou humano, eu preciso me permitir sentir-me fraco e dependende. Não culpo a ninguém, mas culpo o meu perfeccionismo idiota e inviável. Preciso apagar esse principio organizador de meu inconsciente. A partir de hoje encerro esse engano de achar que não preciso de ninguém. Se Deus colocou tantos a minha volta, é porque preciso receber algo também, e não somente dar de mim. Deixo a dica para todos: Não é em vão que todos existimos, e somos seres sociáveis. Existimos para estar ligados aos outros, a coletividade gera força, a amizade cria laços. Jamais devemos pensar que somos um, e sim que existimos para o próximo, e o próximo para nós. Super heróis somente em histórias. Nada de tentarmos nos comparar a um. A única maneira de voarmos como um super herói, é nas asas de Deus, a única força que temos é o amor dEle, e o único sentimento de “trabalho feito”, é nos permitir sermos humanos!
Hoje deito-me e descanso de consciência em paz, sabendo que sou humano dependente, e não alguém que resolve todos os problemas do mundo. Boa noite.
23 de Janeiro de 2013, 03:04 horas, J. Gonçalves

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Potencial

Hoje descobri que a pior coisa de que podem xingar você é de POTENCIAL.
Até ontem achava que quando falavam "essa menina tem um potencial..." era o melhor elogio que eu poderia receber.
Até que ouvi alguém dizer que ter potencial, é ter chances futuras de fazer algo e ainda não estar fazendo.
É poder fazer tudo e não estar fazendo nada.
É ter todas as oportunidades possíveis e imagináveis de chegar ao pedestal sonhado e ainda estar pensando em amarrar os cadarços para o primeiro degrau.
Descobri que ter potencial é ser mais um idiota que não age. Descobri que ter potencial é algo tão comum como mascar chiclete se eu não tiver atitude.
Sempre gostei das teorias, das filosofias, das complexidades, das palavras bonitas e profundas, dos sonhos que dão frio na barriga de tão bons que são... Contudo agora, já não me são suficientes.
Já cansei de complicar os detalhes simples!
Ontem aprendi que tudo que eu sei não tem valor algum.
Ontem eu vi que era um potencial. Ontem eu vi que era completamente enrolada em todas as áreas da minha vida.
Me achando com um grande peso de sabedoria, tendo que ser exemplo pra todo mundo o tempo todo. Referencial pra tanta gente por fora e tão enrolada nos meus não-podes, nas minhas regras, sendo tão teórica e imaginativa.
Fiquei tão chateada, decepcionada.
Então escutei de um cara que Jesus estava mais triste que eu com essa enrolação, com essa teoria toda, com essa mania borderline de gostar de ficar mal, para mergulhar no mundo das ideias e criar algo filosoficamente aceitável que me fizesse pensar que tudo ficaria bem logo mais.
Pra quê? Pra quê?
Em um insigth instantâneo, entendi o que escuto há anos e nunca tinha percebido o quanto tudo é simples e fácil.
JESUS ME DESENROLOU!
As dúvidas e incertezas, confusões mentais e crises existenciais, medos e pesos se desfizeram diante dos meus olhos, ou melhor, dentro das minhas pálpebras mesmo. Já que a transformação interna deixou de ser falada e passou a ser sentida. Faz tempo que não me sinto tão tranquila diante do que antes me causava tanta tensão.
Agora já não quero ser um potencial. Quero ser. Só ser. Fazer acontecer... Fazendo. Acontecendo.